quinta-feira, 26 de maio de 2016

Rua das Sete Casas


"Rua das Sete Casas". Não é o verdadeiro nome da rua, mas é assim que minha família e eu nos referimos a ela.
Quem vê hoje vê essas casas assim, com esse aspecto de abandono, nem imagina que aqui já foi um lugar cheio de vida.
Lembro do som de músicas antigas que saía de uma delas. Às vezes a música da vitrola parava para dar lugar a um jovem rapaz que sentava perto da calçada tirando algumas canções do violão. Um senhor rotundo, metido eternamente numa camiseta regata verde, ficava sentado à porta, ouvindo rádio e olhando a rua. Meninos soltando piões na calçada. De dentro das casas, no fim da tarde, o cheiro de feijão e de café se misturavam e ganhavam a rua, dando a quem passasse por ali uma sensação de aconchego.
É uma das poucas coisas do meu tempo de criança, no bairro, que ainda sobreviveram. Sinto necessidade de registrar esse lugar de algum modo, antes que desapareça. Tenho o pressentimento de que não vai durar muito tempo. Mais dia, menos dia, alguém aparece para derrubar tudo.
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